Idiomas

  • Diminuir tamanho do texto
  • Tamanho original do texto
  • Aumentar tamanho do texto

PPGICS | Pós-Graduação:Informação e Comunicação em Saúde

Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde

Início do conteúdo

Corpo Docente


Docentes

Igor Pinto SacramentoCoordenador - Permanente - Linha 2

 

 

   Currículo Lattes

 

 

Bacharel, mestre (2008) e doutor (2012) em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ).

É pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Comunicação e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Laces/Icict/Fiocruz) e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM/UFRJ) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação em Saúde (PPGICS). Na UFRJ, atua também como pesquisador do Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação (NEPCOM/ECO/UFRJ). Na Fiocruz, trabalha, ainda, como editor associado da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde (RECIIS) e como coordenador do PPGICS. Coordena o GT de História do Jornalismo do Encontro Nacional de História da Mídia, promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (ALCAR). Autor de livros como "Dias Gomes: um intelectual comunista nas tramas comunicacionais" (Pedro & João Editores, 2016) e "Depois da revolução, a televisão: cineastas de esquerda no jornalismo televisivo dos anos 1970" (Pedro & João Editores, 2011), organizou, entre outras, as seguintes coletâneas: História da comunicação: experiências e perspectivas (com Leticia Cantarela Matheus); Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia (com Ana Paula Goulart Ribeiro); Saúde e jornalismo: interfaces contemporâneas (com Kátia Lerner) e História da Televisão no Brasil (com Ana Paula Goulart Ribeiro e Marco Roxo).

Tem experiência de pesquisa nas áreas de comunicação, história e saúde, dedicando-se especialmente aos seguintes temas: televisão; história da comunicação; relações entre intelectuais e mídias; memória social; narrativas biográficas; representações midiáticas; configurações identitárias e usos sociais das mídias; processos de subjetivação e discursos sobre corpo, saúde e doenças.

 

 

Conheça algumas das publicações do docente:

 

- Cronotopias da intiidade catastrófica: testemunhos sobre a Covid-19 no Jornal Nacional. (ESTUDOS HISTÓRICOS, v. 34, p. 384-404, 2021.)

 

- As musas fitness como corpos dóceis: uma análise de processos de normalização do corpo feminino. (REVISTA FRONTEIRAS (ONLINE), v. 22, p. 81-93, 2020.)

 

- O crack na grande cena: narrativas que se conectam ao imaginário, reificam saberes e produzem efeitos repressivos. (MÍDIA E COTIDIANO, v. 11, p. 228-249, 2017.)

 

- A imigração como risco para a saúde: uma análise das representações do imigrante africano na cobertura da Folha de S. Paulo sobre o ébola. (Comunicação e Sociedade, v. 28, p. 25-47, 2015.)

 

- SACRAMENTO, Igor; BORGES, W.C. . Representações midiáticas da saúde. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2020. v. 1. 182p .

 

- LERNER, K. (Org.) ; SACRAMENTO, Igor (Org.) . Saúde e Jornalismo: interfaces contemporâneas. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014. 269p .

Projeto(s) de pesquisa:
AMIS (Archive-Mémoire-Image-Societé)

Desde a década de 1980, o valor patrimonial e o interesse pela pesquisa baseada em arquivos audiovisuais são reconhecidos internacionalmente, como atesta a recomendação da UNESCO "para a salvaguarda e conservação de imagens em movimento" (27 de outubro de 1980). O programa de cooperação PICS-PIMI-CNRS Patrimoines-Images-Médias-Identités explorou entre 2014 e 2017 a dimensão patrimonial do setor audiovisual na França e no Brasil, abordagem que levou seus membros a analisar os processos de valorização do patrimônio e as diferenças de abordagem entre os setor audiovisual público e empresas privadas do setor. O projecto IRP Archives-Médias-Images-Sociétés pretende, por um lado, alargar estas questões, por outro, focando nos arquivos audiovisuais e no seu percurso mediático, para contribuir para a reflexão sobre a identidade e natureza dos documentos a partir da sua produção. à sua recepção social na França e no Brasil. É claro que, embora a acessibilidade aos materiais tenha sido reforçada, em particular pela implementação, na França, do depósito legal audiovisual (1992) e da Internet (2006), pela extensão da tecnologia digital e graças ao papel de instituições da França e do Brasil (Cinemateca Brasileira, Grupo Globo, Museus da Imagem e do Som do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Arquivo da Internet, Instituto Nacional do Audiovisual, Centro Nacional de Cinema e Imagem Animada), os usos que dela são feitos exigem reflexão. É o caso das transformações por que passam esses arquivos com a sua exploração. Esse também é o caso de sua migração para programas documentais e ficcionais ou programas veiculados em múltiplas mídias (cinema, rádio, televisão, internet, redes sociais) [Chambat e Cohen, 2013]. Essas reutilizações, como esses movimentos migratórios do arquivo, acontecem, aliás, em temporalidades variadas e contribuem para criar na rede mundial uma aceleração da divulgação de informações cujos efeitos devem ser questionados [Le Temps des Médias, 2018/31 (2)]. A comparação das paisagens audiovisuais do Brasil e da França deve permitir mostrar, por meio da análise de universos midiáticos aparentemente muito díspares (arquivo institucionalizado na França / importância do You Tube no Brasil, marginalidade do setor público no Brasil, etc.) , em que medida e como, na era da web, essas diferenças se perpetuam. A cooperação entre as duas disciplinas História e Ciências da Informação e da Comunicação, a nível metodológico e conceitual, visa contribuir para o desenvolvimento de ferramentas de análise operacionais e originais sobre o futuro dos materiais de pesquisa na França e no Brasil. Este é o objetivo do projeto AMIS. O projeto apresenta uma dimensão de pesquisa fundamental conduzida de uma perspectiva transdisciplinar e uma dimensão de desenvolvimento de ferramenta. Além disso, levará ao desenvolvimento de novas ferramentas para a comunidade internacional de pesquisa. Por fim, pretende apoiar e informar as políticas patrimoniais dos países envolvidos, no que se refere a um vasto corpus de arquivos audiovisuais francês e brasileiro. Este projeto é coordenado por Isabelle Gaillard com a colaboração de Evelyne Cohen, no Laboratório de Pesquisa Histórica Rhône-Alpes (LARHRA, UMR CNRS 5190). Reúne membros de instituições francesas e brasileiras, especialistas em história do audiovisual, história cultural e ciências da informação e comunicação. Conta na França e no Brasil em parceria com instituições culturais especializadas nessas áreas. Em particular, na França, o Instituto Nacional do Audiovisual (INA), no Brasil, a Cinémathèque Brasileira. Desenvolve-se em três linhas de pesquisa, divididas em reflexões por um lado e tarefas por outro. No final do projeto, pontuado por uma série de encontros científicos, combinando teoria e prática, as ferramentas, cuja realização está prevista ao longo dos quatro anos, serão colocadas à disposição do público (cf. quadro de Gantt).

Sob o regime contemporâneo da verdade: fakes news e teorias conspiratórias sobre a Covid-19

As fake news se tornaram um problema de saúde de saúde pública. No caso da Covid-19, muitas delas são prejudicais às medidas de prevenção e controle. Uma resposta comum às fake news é a checagem dos fatos. Sem desconsiderar o mérito desse trabalho, é preciso reconhecer que é difícil convencer as pessoas a deixarem de restringir o conhecimento sobre a verdade às convicções que constituem suas identidades. O problema, então, é menos o de verificação das fake news do que o de compreensão dos sentidos de verdade nos processos de produção, circulação e consumo. Entender as lutas pela verdade no nosso tempo é também observar diferentes cosmovisões postas em conflito, especialmente por conta da comunicação digital. O debate sobre fake news está, em geral, fundamentalmente associado ao processo de crise de confiança nas instituições públicas, na ciência e no jornalismo diante da profusão de grupos e práticas sociais marcados pela produção, circulação e consumo de informações mais segmentadas. Quais são as mediações culturais envolvidas nos processos de circulação e consumo de informações sobre saúde? Por que determinadas pessoas confiam em certas informações sobre vacinação e não em outras? O que na cultura explica tais disposições, comportamentos e práticas? Em relação à propagação de fake news, não se trata somente da desconfiança na ciência e no jornalismo, mas sobretudo da apropriação de determinados discursos e posturas de modo a legitimar suas próprias crenças, pontos de vistas e posições políticas. Ou seja, importa observar o gerenciamento público das emoções e as estratégias sensíveis envolvidas em mobilizar, por exemplo, posturas negacionistas em relação à pandemia que dizem respeito a um processo de polarização política. A mobilização instrumental dos afetos na configuração política contemporânea opera dentro do processo de constituir vínculos políticos indissociáveis da capacidade de ser afetado, de ser sensivelmente afetado, de entrar em um regime de aisthesis. Ou seja, as fake news não se limitam a verdade ou mentira, mas também ao notícias falsas não se limitam apenas a notícias falsas ou fatos alternativos. Sendo assim, as fake news levam à negação da realidade e da verdade presumidas em estudos científicos em prol do reforço de posicionamentos emocionais em torno da afirmação de dogmas como princípios de verdade. a noção de pós-verdade, também, perfeitamente integrado a essa lógica, sugere um mundo sem valores no qual tudo é permitido, quando, de fato, os valores estão se tornando mais rígidos e dogmáticos e, em muitas ocasiões, são de natureza claramente conservadora. Em um contexto de crise promovido pela pandemia de Covid-19, é importante ressaltar, ainda, que a circulação e o consumo de fake news operam dentro de estratégias sensíveis, cujo objetivo é instrumentalizar o sensível manipulando os afetos. Em relação à propagação de informações falsas, não se trata somente da desconfiança na ciência e/ou no jornalismo, mas, sobretudo, da apropriação de determinados discursos e posturas de modo a legitimar suas próprias crenças, pontos de vistas e posições políticas. As emoções se configuram, portanto, em uma variável que não pode ser deixada à margem do debate. As verdades presumidas em notícias e informações falsas são regidas por certas conveniências. Em detrimento da procura por uma (in)formação técnica específica, os sujeitos estão se sentindo cada vez mais especialistas em determinados assuntos à medida em que cruzam o curto caminho da busca pela informação simplificada na internet, aquela massivamente disponibilizada nas ambiência digitais, o que afeta, negativamente, a circulação de conteúdos relevantes e apurados à sociedade. O objetivo principal do projeto de pesquisa é estudar as estratégias enunciativas dessas informações no que diz respeito ao estabelecimento ou ao reforço de convicções e crenças. Procura também observar as maneiras como indivíduos online se apropriam e disseminam tais informações por meio de textos em comentários e compartilhamentos, procurando compreender a cosmovisão em que tais práticas se inserem e quais emoções são mobilizadas (ansiedade, medo, ódio, revolta, raiva, esperança, confiança, segurança). Procurará, ainda, analisar as dinâmicas comunicacionais do negacionismo científico contemporâneo.

Voltar ao topoVoltar